O Palhaço


Por trás de um palhaço se esconde muita gente: a começar por uma incansável criança.

Quando pequenos, muitos de nós prometemos aos mais velhos que nunca nos cansariamos da boneca ou do carrinho, e inclusive que brincariamos com o mesmo brinquedo de sempre junto aos nosso filhos. É exatamente esta promessa que sobressai na vida de um palhaço. Pra sempre será ele uma criança, uma criança pra brincar com seus filhos, com filhos de conhecidos e desconhecidos.
Por trás do sorriso esticado à tinta, o palhaço chora. É um grande homem, uma incansável criança, com muita responsabilidade, muita maturidade pra revelar. E este peso é tanto que o palhaço não o usa, absorve, escorre a tristeza em palhaçadas, infantilidades que sem a tinta esperneiam dentro e fora de si.
Por dentro de um palhaço tem tanta gente chorando com fome, tanto doente pedindo esmola e quando olha por fora um hospital, assim como seu signo: câncer. Olhar pra crianças carecas e carentes não anima ninguém a projetar sorrisos, o palhaço sente um vazio enorme, tem que fazê-las sorrir.
Promete a si mesmo nunca deixar uma criança virar adulta. Assim como ele, eternas crianças. Crianças que morrem de fome, de doença e de rir. O palhaço passa à elas todo seu peso, junto ao nariz vermelho. Vermelho sangue pros pessimistas, vermelho coração...
Por trás de um palhaço, todo mundo é triste.


Conta-se a lenda, O Palhaço Lendário. Toda vez que via uma criança triste, o palhaço chorava. Do bolso, tirava uma latinha de tinta vermelha, com o dedo indicador: uma pinta vermelha no próprio nariz, outra no nariz da criança. E escorrendo lágrimas guardava a latinha. E as crianças não ousavam mais chorar.




Se me permitem apresentar música, teatro e circo tudo junto numa coisa só como diz uma das letras da trupe, eis aqui O Teatro Mágico:


2 comentários:

Bruno Abreu 22 de fevereiro de 2009 22:40  

A gente vê, sem brincadeira, tanto texto tosquinho sobre esse tema... mas um texto da Lílian é um texto da Lílian! Eu reli várias vezes os parágrafos 3 e 4, muito bom... mas faça uma revisão, pra deixá-lo mais
"clean", como diz minha mãe ( eu realmente não encontrei palavra melhor...)

obs: Algum palhaço já leu esse texto?!?!

Anônimo 27 de fevereiro de 2009 10:32  

És a segunda pessoa que conheço, que gosta de palhaços tristes, e de palhaços em geral, eu acho...
...eu, pra ser sincero, te digo que não gosto nem um pouco desses sujeitos. Sempre me parecem um serial killer em potencial, sempre sorrindo, sempre encenando... ...nunca é uma alegria sincera. E aí vem um que além disso, está visualmente claramente notavelmente triste !?
Oua, dá até um frio na espinha...

Porém tem os de "Fluorescent Adolescent" do Artic Monkeys. Estes me fazem rir...

edo...

Pesquisa

04/08/2009

No final de 2007 eu perdia o sono semanalmente pensando em algum texto. O cansaço físico me impedia levantar da cama para anotar os poemas, textos e frases que vinham à cabeça. Criei então o Segundo Lílian, em Junho de 2008. Postando anotações feitas na madrugada, sonhos rememorados na manhã seguinte, inspirações do meio do sono vespertino. Sem habilidade de escrita tive um blog trágico, perdi meus leitores e a vontade de escrever.
No final daquele ano resolvi criar o Insônia Registrada. Já que todos meus textos eram decididos durante a insônia, ou me tiravam o sono. Era um novo blog, pensado diferente, com novo tema, nova forma de escrita, novo visual - que já foi modificado uma dezena de vezes - além de agora um período de vida bem mais traduzível em letras.
Hoje, o blog já virou um vício. Textos, links, vídeos, descobertas, lembranças... tudo vem pra cá. Tirando o sono de quem lê também. Tamanho vício me levou a criar um blog de esportes, um de filme, participar brevemente de um blog de humor e me fez até perder a vergonha do Segundo Lílian.
Porque segundo Lílian, a insônia será registrada.