Quando Deus foi julgado

Ateu por toda vida, bastou um segundo pós-morte pra todos seus conceitos irem abaixo. Descobriu Deus.

A noção de tempo ali no além era muito pra que precisasse quantos dias já esperava por seu julgamento final. Mas, de tudo que pudesse imaginar, aquela era a única forma que não imaginava que Deus assumiria um dia. Deus, como um espelho, era ele, vestia-se como ele, a mesma imagem, isto talvez seria "à minha imagem e semelhança", como nunca percebera? Estava, então, ali diante da própria imagem, lendo todos os pecados cometidos em sua vida, e Deus continuou:
_ ... e o maior deles, o ateísmo. Ateu por toda a vida desevangelizou fiéis, publicou três obras de "provas da improbabilidade da passagem de Jesus na Terra". Incrédulo! Algo a dizer em sua defesa?
_ Deus criou o homem, assim fui obrigado à ouvir por toda a vida. Sempre foi impossível acreditar que Deus era bondoso, se fosse bom teria interrompido a Segunda Guerra Mundial, traria menos dores aos seus filhos, não os puniria pro usufruírem do livre arbítrio, não necessitaria de uma parcela do meu dia voltado às orações: minhas felicidades, esforços e conquistas lhe bastariam como agradecimento. Assim como um diploma do filho basta ao pai.
Deus já esta suficientemente velho para ter aprendido que punindo o homem não conquistará sua fidelidade, nem lhe trará felicidade. Doenças, guerras, fome, dor... se não intervir terá cada vez menos fieis, as condições que você dá aos humanos são muito tristes para que nos consideremos sua obra-prima, para que acreditemos num "pós-morte melhor".
Como humano sempre estive questionando o mundo: a minha vida e a minha morte, tudo poderia até ter uma explicação, mas o homem é um animal qualquer, limitado por seu pensamento e se vê em qualidade de vida inferior - muitas vezes - que a de outros animais, é por isso que não conseguimos crer mais, se somos colocados em postos tão próximos aos de outras criações então não teremos diferença nenhuma para a "terra que um dia há de comer o que era animal destes humanos".
E Deus assumiu a forma de um homem pobre, prometeu descer à Terra e procurar um meio de... - ele nem sabia o que. Talvez não fosse tão sublime assim, tão inteligente. Sim, Deus - aquele todo poderoso - do qual falavam lá embaixo, não existia.

2 comentários:

Wilson Torres Nanini 12 de outubro de 2009 13:51  

Existem dois "Deus", segundo o taoismo. Um que é o que é. E o outro é aquele que os homens criaram, que vemos estampado em cada rosto enganado pelo transe que as religioões hipnóticas conseguem impor a elas. Eu, si lá: Deus talvez seja (esteja) entre o alga e o ômega, o âmago e o @. Abraços!!!

Nati Boaventura 19 de outubro de 2009 11:25  

Existe, não para todo mundo e de forma particular, para cada um dos que acreditam. A maioria que acredita na existência, só o faz por precisar se apegar a algo. Basta de efemeridade, não é? :)

Pesquisa

04/08/2009

No final de 2007 eu perdia o sono semanalmente pensando em algum texto. O cansaço físico me impedia levantar da cama para anotar os poemas, textos e frases que vinham à cabeça. Criei então o Segundo Lílian, em Junho de 2008. Postando anotações feitas na madrugada, sonhos rememorados na manhã seguinte, inspirações do meio do sono vespertino. Sem habilidade de escrita tive um blog trágico, perdi meus leitores e a vontade de escrever.
No final daquele ano resolvi criar o Insônia Registrada. Já que todos meus textos eram decididos durante a insônia, ou me tiravam o sono. Era um novo blog, pensado diferente, com novo tema, nova forma de escrita, novo visual - que já foi modificado uma dezena de vezes - além de agora um período de vida bem mais traduzível em letras.
Hoje, o blog já virou um vício. Textos, links, vídeos, descobertas, lembranças... tudo vem pra cá. Tirando o sono de quem lê também. Tamanho vício me levou a criar um blog de esportes, um de filme, participar brevemente de um blog de humor e me fez até perder a vergonha do Segundo Lílian.
Porque segundo Lílian, a insônia será registrada.