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Sonhos



Às vezes eu durmo pra sonhas, mas na maioria das vezes sonho sem precisar dormir. Eu vejo a cena surgir por detrás dos meus olhos depois se esmaecer. E quando me dou conta um monte de coisas aconteceram, eu acreditei em todas, mas aconteceram só pra mim e foram embora.
Dormindo ou acordada. Coleciono sonhos.
Sonhos de ambições e histórias nostalgiantes criadas pelo meu subconciente. Uma auto-biografia talvez devesse chamar "colecionadora de sonhos" (que clichê).
Nestes sonhos costumo envolver meus amigos, dou a vida que eles queriam, que eles sonharam (também). Sonho que vi cazuza e ela viu Rita. Que passei no vestibular e ele se apaixonou por alguém. Que tive filhos e ela paz, o outro dinheiro e duas outras se casaram.
No último sonho exilado - ou exalado? - pelo onisciente subconciente: duas vozes se afinaram para se encontrar sobre um violão e reproduzir então o que um dia foi o encontro de dois ídolos, eu traduzia Cazuza e do outro lado ninguém menos que Rita Lee, a platéria se materializava e desmaterializava (assim são os sonhos).
O despertador marcando tempo alertava: Cazuza e Rita nunca gravaram juntos esta música. Então a realidade desabou por cima de tud...
_ E daí? O que é realidade? O que define se uma cena foi real ou não?
Não estamos aqui agora perto do fogo?

Flying Kebab

Lembram? Que eu postei aqui um ou dois episódios de Flying Kebab?
Hoje tive a oportunidade de falar com o Matheus Siqueira por e-mail, tentei forçar uma entrevista pra colocar algo interessante por aqui e pra tirar algumas dúvidas mesmo. Fui informada que o 5º episódio sairá até segunda-feira que vem.
Descobri o site deles, que por falta de atenção, eu ainda não conhecia. Tem uns videos bacanas no vlog, um layout invejável (tô afim de trocar o meu de novo) e acesso ao twitter e fickr... Chega de babação de ovo né?
Quando tive acesso aos vídeos, através do site do enxame.tv - que acesso sempre pra assistir Na Sala do Tatá - já apaixonei pela história. Uma história que se passa no Líbano, o "ator principal" com belos dreads e uma forografia que nos pega pelo fígado, a curiosidade de como termina esta história toda de herança.

A história parece ter começado de forma espontânea, a idéia de documentar um país através da ficção. O mais perto que costumo chegar de países como o Líbano é passando pelo Habib's e pedindo pra trazer hortelã junto com o quibe (já contei esta história pra vocês? é melhor não). Tudo bem que é filmado sob o ponto de vista do câmera (teoricamente) e editado com muita paciência, mas as paisagens presentes na série têm me surpreendido.
Logo quando comecei a assistir reconheci os nomes Beirute e Nantes, por causa da musica Nantes da banda Beirut. Fui levada pelos detalhes pra dentro desta história, seduzida - diria. Sem contar com o detalhe da revista Piauí, que por um momento eu pensei que ninguém além da minha irmã e eu lêsse.
O trio responsável pela série - Matheus Siqueira, Fernando Borges e Cléderson Perez - não têm remuneração, o projeto é totalmente particular (ou seria independente?) com minímas ajudas por ofertas no site oficial (linkado lá em cima). E a divulgação nas palavras do Matheus "é feita só pelo viral que alguma vezes funciona, outras não..." além também da mãozinha dada pelo Marcelo Tas (do CQC) no seu blog e no twitter
Tudo começou com a viagem que fizeram ao Líbano para trabalhar numa rede de Tv e parece que acabará com o regresso deles, em fevereiro de 2010.
Prometo postar o 5º episódio aqui quando sair, enquanto não sai vou postar um vídeo do vlog deles, e uma reportagem que saiu no estadão pra saberem um pouco além. Depois vão lá assistam o vídeo e doem umazinha pra ajudar os caras. Falando em doações, dêem uns cliques nas propagandas do meu blog aqui que minha produção também é independente.



As Rosas Não Falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim


É um pouco raro encontrar Lílian's por aí.



Os Anjos Caídos (ou A Construção do Caos)

"Pai, me ensina a ser palhaço

Pai! Me ensina a ser palhaço.
PAI! ME ENSINA A SER PALHAÇO!

_ Isto não se ensina, seu bosta!"

Foram estas as palavras que me fizeram, de alguma forma a encantar pelo Cordel do Fogo Encantado. Que tanto quanto Teatro Mágico, passa de banda à ser trupe. Narram poemas dignos do Nordeste, mantêm uma incrível presença de palco. E falam daquele clichê, demodê, tão perdido nas imbelezas da pós-modernidade.
_________________________________________

Não creio em Deus. Sou atéia, incrédula ou como queiram chamar. Prefiro não debater o assunto pra não ser ofendida nem ofender ninguém. De futebol, religião e política, só discuto mesmo futebol, e quando o meu time tá ganhando.
Mas um dia, alguma coisa que levava encarnada o nome de Deus me chamou a atenção. Creio em Deus como uma personagem magnífica. Assim como creio no Dom Quixote, no Fabiano de Vidas Secas ou na Allie de Taken. Sintam-se à vontade então:



Os homens são anjos caídos que Deus mandou para Terra porque
botaram defeito na criação do mundo. Aqui, começaram a
inventar coisas, a imitar Deus. E Deus ficou zangado, mandou muita chuva e muito
fogo, eu vi de perto a sua raiva sacra, pois foram sete dias de trabalho intenso,
eu vi de perto, quando chegava uma noite escura
Só meu candeeiro é quem velava o Seu sono santo
Santo que é Seu nome e Seu sorriso raro
Eu voava alto porque tinha um grande par de asas
Até que um dia caí
E aqui estou nesse terreiro de samba
Ouvindo o trabalho do Céu
E aqui estou nesse terreiro de guerra
Ouvindo o batalha do Céu
Nesse terreiro de anjos caídos
Cá na Terra trabalho é todo dia
Levantar quebrar parede
Matar fome matar a sede
Carregar na cabeça uma bacia
E esse fogo que a Sua boca envia
Pra nossa criação
Deus
Esse terreiro de anjos
Esse errar que é sem fim
Essa paixão tão gigante
Esse amor que é só Seu
Esperando Você chegar
Os Homens aprenderam com Deus a criar e foi com os Homens que Deus aprendeu
a amar.

Os Homens aprenderam com Deus a criar e foi com os Homens que Deus aprendeu
a amar.

Metade



Porque metade é o que está em mim
A outra não achei

É a única coisa que eu aumentaria à este poema. E claro, assexuada como sou, desalmada, tiraria as partes que indicam vida à dois.
Porque eu acho que metade é você, a outra metade é o que faz, o que gosta, os amigos, a família, o que rodeia, a situação, o ambiente e as condições.
Não vou estragar o poema com uma análise minha.
Porque metade é o que escrevo, metade é o que apago.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Passagem para...

Ah! Meu programa favorito: Passagem Para..., passa no Canal Futura de segunda à sexta 23 horas. Além de repetições em horários variados ao decorrer da semana. O programa é filmado, apresentado e dirigido por Luís Nachbin. O jornalista viaja por diversos países com uma câmera, na verdade duas e filma a política, cultura, esporte e o que tiver de interessante pra filmar no local.
Depois divide tudo em três episódios temáticos. Além de fazer sempre um comentário no fim do programa com algo que não foi filmado. Nas primeiras temporadas sempre entrevistava um casal (com relações pessoais ou não) que era do país exibido pelo programa mas estava morando no Brasil.
Agora o programa tem um site, onde o Nachbin escreve um blog, a produção posta vídeos que não foram ao ar, e todos os comentários do final do programa. Acho que tem vídeo e texto lá pra ler até o fim da vida. Além do que será acrescentado de vez em quando.
Recomendo o site (clique aqui). E principalmente este vídeo:


Da minha irmã

Quando mais nova eu desejava criatividade, tudo que eu queria era conseguir inventar algo que minha irmã ainda não tivesse pensado primeiro. Ouvir uma banda que ela não conhecesse, entrar num site que ela não soubesse que existia e participar de uma brincadeira que ela desejasse participar também.
O grande problema é que eu não tinha acesso à nada. Enquanto ela navegava pela internet no curso de computação, eu ouvia escondida as músicas da fita que ela tivesse deixado no som. E se ela tinha o CD dos Mamonas a fita abandonada ficava pra mim. Enquanto ela colecionava cartões telefonicos, eu me arriscava nas tampinhas de garrafa, depois nas latinhas de refrigerante/cerveja e por último os chaveiros. Me rendi aos cartões também, e hoje coleciono fotografias não tiradas (o que é caso para outro texto).
Foi ai que ganhamos um computador, e tudo começou a se igualar. Duas horas pra uma, duas horas pra outra. Eu passava duas horas entre bate-papo uol e o site do Cadê (eu ainda não conhecia o Google, e tive rejeição no início). Eu encontrava bandas que ninguém queria ouvir, letras de músicas que eu achava que entendia e tentava escrever coisas que acabavam virando cópia do que eu lia.
De plágio em plágio parei de plágiar os gostos da minha irmã. Comecei a tomar conceito sobre as coisas e parei de gostar do óbvio. E o óbvio pra mim era tudo que tivesse uma guitarra, uma bateria e um baixo (musicalmente falando). Das fitas rodadas naquele som preto e pesado guardei o óbvio Cazuza, e do resto descartei pra começar tudo outra vez.
Cartola pra cá, Ana Carolina pra lá, Falamansa pra lá, Pensador pra cá... Foi aí que parei de procurar o não-óbvio pra entender o que eu realmente procurava.

(20:48) #Lílian: não tenho este prazer que voc parece ter em musicas internacionais
(20:48) edo...:
acompanho esse ed sheeran a tres anos, sua evolução
como cantor
(20:48) #Lílian: uma das poucas bandas internacionais que realmente gostei foi beirut
(20:48) edo...: é a harmonia
(20:49) edo...:
harmonia, ordem no som, quem a maioria das musicas
brasileiras não tem
(20:49) #Lílian: só gosto quando tem algo de realmente excentrico, como beirut com aquela
sanfona (ou acordeon, não sei a diferença) dissociando a imagem que
tenho de sanfona pra forró, sertanejo e derivados
(20:50) edo...: acho que tambem não concordaremos com musica tão cedo
(20:51) #Lílian: acho que não temos a mesma visão de arte
(20:51) edo...: é
(20:51) #Lílian: pra mim arte só é plausivel de admiração quando inovadora
odeio pastiche
praxe
e regras
(20:52) #Lílian: meu unico objetivo de vida é estar sempre na contra-mão
(20:52) edo...: e eu odeio a palavra pastiche, porque não tem harmonia
sonora
(20:52) #Lílian: parece algo não-brasileiro
(20:52) edo...: o meu é sair da estrada
(20:52) #Lílian: gosto da estrada
desde que eu esteja na contra-mão e pedindo carona
(20:53) edo...: harmonia é como olhar para uma paisagem de montanhas bem
redondas e verdes com a brisa batendo
(20:54) edo...: e não é uma imagem de liberdade?
(20:54) #Lílian: gosto de ver sentido nas coisas
mesmo que o sentido seja pessoal
(20:54) #Lílian: eu li nesta curta-viagem à viçosa
(20:54) #Lílian: algo em espanhol (não vou saber escrever como estava, nem
vou arriscar o meu destreinado espanhol) que dizia que "não
és louco se pelo menos uma pessoa acredita na sua razão"
(20:55) #Lílian: ou se ao menos uma pessoa vê razão naquilo que você faz...
agora a frase me foge à memória
mas é isto a essncia
e eu acho que isso é arte
é você ter uma pessoa te ouvindo
(20:55) #Lílian: enquanto você faz o contrario do que te mandam
e quando chegar no fim
com a obra pronta
todo mundo olhar e falar "ele não estava louco, estava certo"

os mais pensativos "tava na minha cara o tempo todo e só eu
não vi"
(20:56) #Lílian: por isso admiro quem faz diferente
por isso admiro seus desenhos
eles não têm a expressão que todo mundo quer que tenha
(20:57) #Lílian: todo mundo questiona a tristeza deles, as correntes e outas
coisas mais
(20:57) #Lílian: no dia que você começar a fazer desenhos felizes, eles vão
sentir falta de algo no desenho e não saberão o que é
o mesmo com musicas e textos
(20:57) #Lílian: só quando tá diferente e inovador é que ta completo
(20:58) edo...: :) boa análise
como sempre
(20:58) edo...: vc diz coisas com sentido
(20:58) edo...: e eu fico sem ter o que dizer depois

Nem me lembro mais onde eu queria chegar.
O fato é que depois de muita influência musical, literária e de tentar tornar o óbvio que penso em excêntrico usando da técnica irônica cheguei a lugar nenhum. Percebi que fugir da influência fraterna nunca me tirou de alguma influência, e que no fim temos o mesmo gosto. Por mais que cada uma descubra separadamente, sempre concluiremos que são boas as mesmas bandas.
Então fiquem com a indicação de Lívia (ou preferem que eu indique?): Chicas.


Flying Kebab

Talvez eu apague este blog ou tire férias dele. (Sorria não vai ter que comentar mais!)
Ando meio chata com internet, tive um twitter instantâneo, uma participação instantânea no Na velocidade do Fusca, um amor instantâneo por Andrew Bird. Mas minha tosse não é instantânea, tá durando mais de três semanas já.
Hoje é um dia ruim daqueles que você acorda com dores na coluna, seu time perde pra um time que até ano passado você não sabia que existia, o Brasil ganha da Itália, o Theo Becker sai de um reallity show que nem as tongas da sua sala sabem que existe, sua caixa de e-mails não recebe nem spam.
A greve de silêncio já passou, as propostas da oposição me venceram. Agora minha greve é de não arrumar cama, o que não funciona muito quando sua empregada insiste em arrumar toda vez que vê atrapalhada - sim eu tenho uma empregada que se demitiu e trouxe outra (deve ser a 10ª do ano, não sei se o problema é com meus hábitos diurnos ou com a cama).
Tudo bem, quer dizer tudo péssimo. Ah e meu trabalho sobre profissões vai de mal à pior. É nessas horas que o mouse te empurra pra lista de favoritos e você resolve visualizar aqueles sites que seus amigos mandaram no natal passado dizendo que era "muito bom brow".
Fiz minha deletança de sites ridículos, li posts que tentaram me fazer rir e disse: continue tentando!
Enfim, meu dia só consertou depois de achar o terceiro episódio de Flying Kebab. Tem o 1 e 2 também, ai vocês procuram no site do enxame.tv, mas não cometam o erro de assistir o 1 primeiro, ele é muito ruim e não dá vontade de assistir os outros a ordem interessante é 2,1,3. Obrigada pela atenção e desculpe o encômodo.


Pesquisa

04/08/2009

No final de 2007 eu perdia o sono semanalmente pensando em algum texto. O cansaço físico me impedia levantar da cama para anotar os poemas, textos e frases que vinham à cabeça. Criei então o Segundo Lílian, em Junho de 2008. Postando anotações feitas na madrugada, sonhos rememorados na manhã seguinte, inspirações do meio do sono vespertino. Sem habilidade de escrita tive um blog trágico, perdi meus leitores e a vontade de escrever.
No final daquele ano resolvi criar o Insônia Registrada. Já que todos meus textos eram decididos durante a insônia, ou me tiravam o sono. Era um novo blog, pensado diferente, com novo tema, nova forma de escrita, novo visual - que já foi modificado uma dezena de vezes - além de agora um período de vida bem mais traduzível em letras.
Hoje, o blog já virou um vício. Textos, links, vídeos, descobertas, lembranças... tudo vem pra cá. Tirando o sono de quem lê também. Tamanho vício me levou a criar um blog de esportes, um de filme, participar brevemente de um blog de humor e me fez até perder a vergonha do Segundo Lílian.
Porque segundo Lílian, a insônia será registrada.