Começa no pé e termina lá no galho

Todo humano é santo e pode amar, sim.
Cazuza

Posso até acreditar que o poeta está vivo em seus moinhos de vento, caminhar três vezes por cima do mar sem ter a quem perdoar. Posso até me fazer de santa, posso até amar. Mas nunca me pessa pra parar de chorar com as rimas de "e não me importa que mil raios partam", quem viu a Bete balançar.
Posso reler o livro "Só as mães são felizes", três mil vezes e outras mil. E não me cansarei de chorar ao fim do primeiro capítulo, é triste e real demais pra uma de mim só agüentar, mas o livro já começa com o poeta morto. Narciso é uma letra que descubro todos os dias, não sei como me esqueço dela com o passar das horas.

Tudo bem se tudo não terminar bem, e se o que eu faço tornar loucura. Se eu for circo pra um palhaço. Tudo bem se eu nasci alguns dez anos depois, se eu premeditei o passado e se eu só me tocar no futuro. Tudo ótimo se ninguém entender, se o que eu faço não for páreo pra você.

E é o fim.

"Engraçado como é a vida, quando a gente pensa que
tudo tá dando certo vem uma pessoa e te puxa o tapete,
mas esta pessoa não sabe o quanto tá te ajudando,
porque é só dessa maneira que você cresce, é desta maneira
que a gente cresce"

Overdose fúnebe de idéias

Ninguém gosta muito de ouvir esses lances sobre morte, o que me irrita muito. Afinal, adoro ficar falando de quando eu morrer, me inspiro em imaginar isso... A minha mãe diz que meus textos são muito fúnebres, que sempre terminam em morte, sempre falam de morte, nem que seja um trechinho só. Talvez seja esta parte da vida que me fez desacreditar em deuses, ou Deus.
Ninguém entende Deus como eu, pra mim Deus não é um ser, é uma energia positiva que tá em tudo que é bom, e beber ou não, pecar ou não... nada disso aproxima desta energia. A energia é o que você faz e a paz que isso libera. Aprendi em um livro ou outro, que o que vale é o amor: não importa se você é homo, hetero ou bi, se foi por prazer tá tudo certo, a energia vem.
Adoro essas coisas de budismo, hinduísmo... pregam tudo de uma forma paz&amor bem hippie e gera em mim esperanças de um final feliz. Não acredito em ceitas, cerimônias, bençãos, religiões... Eu acho que o que vale é você tá de paz com tudo. Daqui pra frente não tem outra coisa, é como dizia Cazuza... quem sabe eu vire uma energia e volte em outra forma...
Tenho uma tara por mortes, fantasias de como é o mundo pós-morte: ora penso que não têm nada, morreu tá morto; ora penso que vou voltar em outra forma; ora penso que dura umas horas a mais que o enterro; ou paro de pensar. Só nunca me suicidei por curiosidade porque tenho pretenções de morrer de uma doença malígna, dessas que apodrece a gente em cima da cama, ia ser algo inspirador. Queria ver quem viria me visitar, quem ia ler as locuras pré-morte que eu ia escrever, ia ficar aguardando dia pós dia a morte vir. É meio transloucado, mas é meu jeito de pensar. Eu queria apodrecer em uma cama pra tomar conciência do que fiz, meus ídolos todos morreram de AIDS, Câncer ou suicídio. E é de um desses que eu pretendo ir também, quero morrer jovem... esta coisa de envelhecer é careta de mais pra mim.

Entenda

Quando tudo está sob controle
É sinal que algo vai dar errado
E quando houver paz
Entenda que estaremos próximos
à maior guerra de todos os tempos.

Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais.

Ao longo dos livros que eu li fui descobrindo que Truco é o jogo de baralho mais popular em Minas, e que o Brasil inteiro acha que nas ruas mineiras têm vendedores de chapéu de palha e carroça cheia de queijo à todo momento. E eu que achava que todo brasileiro economizava letras descobri também que só os mineiros entendem se "pó pô pó pá ngroçá?" ou "ês pens qi u ons é dês" dentre uma série de outras coisas.
Eu ainda tava no pré quando fiquei sabendo que a tradução correta do latim na bandeira de minas é "Liberdade que ainda tardia" e não "Liberte que será também", como muitos pensam. Fiquei perplexa quando entendi por que os mineiros juntam, cortam e emendam as palavras. Não é "roçariano" é "tupi" mesmo, em tupi R e L têm o mesmo som em certas palavras, não existe 'inho' tudo vira 'im'.
E o nosso UAI seria uma má interpretação de Why? Diz meu tio que os estrangeiros que vinham explorar nossas minas não entendiam o por quê de tanto ouro, e ficavam se questionando "why?", daí então: "uai".
Não me lembro onde, mas, li uma vez algo que dizia que nós mineiros somos simplificadores da língua brasileira, ou até mesmo costureiros desta. Cortamos, remendamos, costuramos, reiventamos e ainda conseguimos nos entender. Afinal Lidileite eu não consigo comprar no Espírito Santo, me respondem sempre com perguntas:
_ Lidi-quê? Repete?, Oi?.
_ LI-DI-LEITE!
_ Ainda não entendi, o que você quer?
_ Ooh tioo, aquele negoço ali ó.
_ Que negócio?
_ Iih sô, aquele ali em cima do trem tio.
_ Menina, tá fazendo hora com minha cara?
_ Você não vende leite?
_ É leite que você quer?
_ Sim, um lidileite.
_ Aiai, não vamos recomeçar né? Pega seu leite.
Pego, pago e saio andando.
_ Ouuu seu troco!
_ Ficumeleprocê!
_ Não escutei!

Eu, obviamente saio pensando: E ainda dizem que mineiros são burros e não entendem de nada.
Santos Dummont, mineiro. Carlos Drummond Andrade, mineiro. JK, mineiro. Tancredo Neves, mineiro. Tiradentes, mineiro. Modéstia parte, eu também.
É como diz nosso não oficializado hino "Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais".

Senhas

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Adriana Calcanhotto

De repente

Quando tudo é irreal demais a gente fica esperando o chão subir aos nossos pés, nada de descer os pés até o chão, enquanto isso o pensamento roda e concordamos com tudo que é difícil de imaginar. Discursões altamente filosóficas viram destino, opção, rotina. Isto rotina, esta é a palavra que procurei o dia todo. Achei!

De Repente

De repente
Os fins justificam os meios
E faz a gente rir
De tudo que será passado
Quando deixar de ser presente

De repente
Os fins justificam os meios
E revelam tudo que hoje é segredo
Quando deixar de ser meio

De repente

Não gosto dos meus poemas, que fique bem claro. Amanhã vou me odiar por ter postado isso, que bom... pelo menos vou sentir algo. Mas ta aí...

De repente

Eu te rejeitava à todo instante
Seu rosto era só mais um retrato na estante
Até a segunda lágrima escorrer
Eu acreditava que havia frieza, entre eu e você

Pra mim nossos planos eram todos relevos
E suas idéias não guardei no meu acervo
(Achei tudo tão estranho, um sentimento novo
Eu não mais te ouvia, não mais te sentia
Só conseguia ver o brilho dos olhos seus
Reluzindo no escuro)

Eu achei tudo tão estranho
Havia um sentimento entre a gente
E ele já estava deste tamanho

Pesquisa

04/08/2009

No final de 2007 eu perdia o sono semanalmente pensando em algum texto. O cansaço físico me impedia levantar da cama para anotar os poemas, textos e frases que vinham à cabeça. Criei então o Segundo Lílian, em Junho de 2008. Postando anotações feitas na madrugada, sonhos rememorados na manhã seguinte, inspirações do meio do sono vespertino. Sem habilidade de escrita tive um blog trágico, perdi meus leitores e a vontade de escrever.
No final daquele ano resolvi criar o Insônia Registrada. Já que todos meus textos eram decididos durante a insônia, ou me tiravam o sono. Era um novo blog, pensado diferente, com novo tema, nova forma de escrita, novo visual - que já foi modificado uma dezena de vezes - além de agora um período de vida bem mais traduzível em letras.
Hoje, o blog já virou um vício. Textos, links, vídeos, descobertas, lembranças... tudo vem pra cá. Tirando o sono de quem lê também. Tamanho vício me levou a criar um blog de esportes, um de filme, participar brevemente de um blog de humor e me fez até perder a vergonha do Segundo Lílian.
Porque segundo Lílian, a insônia será registrada.