Aos poucos ela começou a dominar o próprio corpo, a própria mente. Usar 100% do cérebro deveria ser conseguir ser seu analista e você no mesmo segundo, pensar em futebol e conseguir explicar porque você pensa em futebol e não na sua família que tá longe. É que futebol está dentro de você como só você pode explicar. A partir do ponto que seus pensamentos e o que você consegue fazer com ele torna-se inverbalizável ou bíblico quer dizer que você está usando sua capacidade de raciocínio. Ou não!
Ela só percebeu que inventava personagens quando se tornou um deles. Sentada num banco de madeira do lado de uma gritaria qualquer ela proferia idéias bêbadas sem nem usar alcóol ou drogas. Simplesmente conseguia enganar seu cérebro pra que ficasse bêbada sem estourar os neurônios. E se sentia bem assim. O problema de usar os dois lados do cérebro ao mesmo tempo era que apesar de não acompanhar o próprio raciocínio e falar tudo numa ordem cronologicamente inviável ela ainda sabia que estava lúcida, o que queria conseguir falando aquilo e como não ia conseguir.
Então equilibrou-se no meio fio e de braços abertos foi pra casa provando que lucidez em excesso é mais que loucura. Bem mais, bem pior, talvez.