
Por trás de um palhaço se esconde muita gente: a começar por uma incansável criança.
Quando pequenos, muitos de nós prometemos aos mais velhos que nunca nos cansariamos da boneca ou do carrinho, e inclusive que brincariamos com o mesmo brinquedo de sempre junto aos nosso filhos. É exatamente esta promessa que sobressai na vida de um palhaço. Pra sempre será ele uma criança, uma criança pra brincar com seus filhos, com filhos de conhecidos e desconhecidos.
Por trás do sorriso esticado à tinta, o palhaço chora. É um grande homem, uma incansável criança, com muita responsabilidade, muita maturidade pra revelar. E este peso é tanto que o palhaço não o usa, absorve, escorre a tristeza em palhaçadas, infantilidades que sem a tinta esperneiam dentro e fora de si.
Por dentro de um palhaço tem tanta gente chorando com fome, tanto doente pedindo esmola e quando olha por fora um hospital, assim como seu signo: câncer. Olhar pra crianças carecas e carentes não anima ninguém a projetar sorrisos, o palhaço sente um vazio enorme, tem que fazê-las sorrir.

Promete a si mesmo nunca deixar uma criança virar adulta. Assim como ele, eternas crianças. Crianças que morrem de fome, de doença e de rir. O palhaço passa à elas todo seu peso, junto ao nariz vermelho. Vermelho sangue pros pessimistas, vermelho coração...
Por trás de um palhaço, todo mundo é triste.
Conta-se a lenda, O Palhaço Lendário. Toda vez que via uma criança triste, o palhaço chorava. Do bolso, tirava uma latinha de tinta vermelha, com o dedo indicador: uma pinta vermelha no próprio nariz, outra no nariz da criança. E escorrendo lágrimas guardava a latinha. E as crianças não ousavam mais chorar.
Se me permitem apresentar música, teatro e circo tudo junto numa coisa só como diz uma das letras da trupe, eis aqui O Teatro Mágico:
