O espelho

O espelho é uma incógnita. Não sei se ele me reflete, ou eu reflito ele.


q

Como você chama?(femininos)


Verônica é um nome bem forte, parece até palavra pra espantar vampiro. Pra ser Verônica tem que ter uma força a mais, Verônicas nunca chorarão sem motivo. Normalmente não se destacam no meio de um monte de gente, mas uma Verônica certamente será vigiada de longe, por pura admiração. Admiração muda.
Coisa que não posso dizer sobre as Ana's. Estas normalmente precisam de um apoio forte, são melódicas, e choram por tudo e todos. Amam muito, e sempre têm esperanças de tudo se resolver. Costumam perder-se num mundo cor-de-terra que só elas frequentam(sim as tremas foram extintas) e no fundo elas sabem.
Agora pense nas Bárbaras, vendo o nome assim tão detalhadamente penso nos povos bárbaros, dos quais não sei muito, mas penso logo em tirinhas de Hagar, o Horrível. E nem sei se Hagar é um bárbaro, frustrante. Voltando ao feminino, as Bárbaras costumam ser agitadas, um pouco roberts e de lua.
Não vejo muita semelhança entre as Robertas, além da vaidade. Mesmo que seja cada uma com seu tipo. E as Biancas então? Sabrinas? Heloísas?...
Queria entender o peso de um nome, de uma hora pra nascer, nascer na água ou na cama, parto normal ou cesária, meu signo... peraí. E as Lílian's o que têm em comum? Conheço duas outras, acho que somos todas antas Liliantas, esqueceram um pedaço do nome.
Que texto ruim, alguém tem uma arma pra me emprestar? Devolvo depois de suicidar.

O Possessivo de Namorar

_ Pai, como é o plural de arco-íris?

_ Arcos-íris
E ele continuava a ler o jornal.
_ "Consertar" com S ou com C?
_ Com c é concerto musical, com s consertar as coisas.
_ Eu tenho um namorado!
_ Você está namorando, não fica bom usar o possessivo.
_ Tudo bem, estou namorando.
_ Isto.
_ Pai, pára de ler o jornal e presta atenção em mim.
_ Não é irônico?
_ O que?
_ Que os países socialistas estejam salvando o capitalismo?
_ Pai, presta atenção em mim.
_ Um dia seus filhos vão estudar em história o que está acontecendo hoje. Assim como você estudou o crack de 30.
_ PAAAAAAAAAAAAAAI, eu tô falando com você.
_ Pode falar filha. - e continuava a ler o jornal, bem desatento.
_ Eu tenho um namorado!!
_ Não acabei de te explicar esta?
_ Não tô fazendo uma pergunta, é uma afirmação.
Impaciente largou o jornal e furioso:
_ De que nós estamos falando então?
_ Calma pai, eu disse que estou namorando.
_ O que? Você tem um namorado?
_ Você não disse pra não usar o possessivo?
_ Não estamos discutindo português. Que história é esta?
_ Calma pai, calma.
_ Como calma? Você só tem 17 anos.
_ E isto é pouco?
_ Pra querer namorar em casa sim, nem terminou seus estudos. Uma menina que não sabe o plural de arco-íris não tem cabeça pra namorar.
_ Agora o senhor já me ensinou qual é, é arcos-íris.
Impaciente voltou a ler o jornal.

OI

Me surpreendi com a velocidade que meu contador de visitas tem aumentado, mas tá.
Vim aqui por que resolvi que aquele poema que fica ali do lado será trocado todas as sextas-feiras. E fim.
E quanto às outras decisões que fiquei de tomar... decidi não me acertar demais, vou escrevendo o que der, só tomarei mais cuidado antes de postar. Pretendo postar uma vez por dia.
Beijosmecomenta. Fui!

Filosofia de Calçada

Sentada no meio-fio da calçada tirou a sandália, e sentiu-se bem mais confortável que se estivesse em um sofá cheio de almofadas. Até por que ali, sentada no chão, já perdera toda formalidade e não precisaria forçar para que a coluna ficasse ereta, ou cruzar as pernas conforme manda o manual.
Era quinta-feira, véspera de feriado. Foi fazer uma viagem diferente, não pra muito longe. Queria ficar ali bem perto, talvez do lado de dentro, interno, eterno, verão e inferno. Quem entenderia a economista renomada sentar no meio da rua sem qualquer postura e começar a falar do céu e do inferno?
Trataria-se de loucura, talvez era isto que ela buscava.
Mirou o velhinho à sua frente, com a barba longa e grisalha o cabelo envolto por um pano vermelho. Então, o senhor levantou do outro lado da rua apoiou-se num cabo de vassoura e ficou olhando os carros que passavam correndo. Se soubesse quem era ela, iria até o outro lado perguntar se estava passando mal. Como não sabia, imaginou que a euforia de uma moça refinada sentar no chão era perda de emprego, não lhe deu atenção na verdade.
Ainda assim a moça insistia em olhar para ele. Até incomodá-lo. Então ele esperou calmamente o trânsito parar, atravessou a avenida e se direcionou à ela.
Sem graça, por perceber que ele tinha reparado que ela vinha observando-o à um certo tempo virou o rosto.
_ Moça, me encantei pelo seu terno vermelho, seu batom meio desgastado... Perdeu a pose com muito menos tempo que gastou para construí-la. Tenho certeza que passou mais tempo se maqueando que perdendo a maquiagem. Deve ter muitos pretendentes, comida em casa e uma estante cheia de livros. Esta parte eu sei, senhora. O que não sei mesmo é por que tem admiração por um velho louco do outro lado da pista, vim por que me incomodava. Não tive nada a perder, é só curiosidade.
Antes que pensasse como responder ele saiu andando vagarosamente.
_ Senhor?
_ Pensei que preferisse não conversar com estranhos, sua mãe não lhe ensinou?
_ Ensinou sim, mas já sou adulta.
_ Não entendi. Adultos conhecem todo mundo? Não sou estranho? Ou adultos não correm nenhum risco com os estranhos? Afinal, ser adulto influência em quê?
Resolvera então entrar no mundo filosófico do velhinho:
_ É ser adulto não influencia muito, só acumula. Imagina só se mudei de nome, ou de religião desde que nasci. E quanto ao porque te observo é por que me lembra um passarinho da infância. Um que pousava todo dia na janela do meu quarto bebericando as poças de água que se formavam após eu regar minhas flores.
_ Tenho bico? Penas?
_ Não. Mas é livre como meu pássaro, e um dia tanto quanto ele vou perder-te de vista. Mesmo que você continue eternamente nesta rua, eu não passarei aqui mais, ou mudarei de cidade.
_ Minha senhora, assim como seu pássaro bebericava o resto da água, eu beberico todos outros restos, e um dia alguém bebericará algo mais de você. Certamente esquecerás o passarinho, automaticamente a memória do passarinho terá minhas barbas.

Iniciando à todo vapor, com tudo quanto é cor

Abri o saquinho de Confeti. Por mais que eu tenha mais vícios de paladar que visuais, não comi nenhuma daquelas elipses coloridas, fiquei simplesmente admirando. É que todos os chocolates, ou pelo menos maioria deles são o chocolate por fora e um recheio por dentro, já este não: é o chocolate coberto por aquelas casquinhas.
Mais instigante ainda são as cores, eles são coloridos. Todo mundo sabe que aquele chocolate marrom é o que chamamos de chocolate preto, a absorção de todas as cores gera? Preto! Mas na prática não é bem assim, se for misturar suas latinhas de tinta da aula de artes, vai acabar fazendo marrom. Matou a charada?
Sim, o preto que chamamos de marrom e o marrom de chamamos de preto são ambos formados pela mistura de um monte de cores. O Confeti é um monte de cor e é chocolate preto.
Por outro lado quando refletimos todas as cores ao mesmo tempo temos? Branco. Pra isto o Confeti branco. Afinal quem é o Cheff Gênio e amante das artes que anda freqüentando a cozinha da Lacta à tanto tempo em total anonimato?
Enfim, vou comer meu Confeti.



"Não era natal
Nem Carnaval
Confeitavam um bolo
Cheio de confetes
Brancos e azuis
Negros e fevereiros
Não importa como
Eram todos de brigadeiro"

Carta ao Leitor - !

Era pra se chamar Sonambulando, e só ser lançado quando meu primeiro blog completasse seus 100 posts. Porém a pressa de mudar radicalmente minha forma de escrever me fez adiantar um pouco esta troca.

Talvez, na verdade devesse chamar Insônia, ao mesmo tempo Sonambulando. Os textos se dividem em dois, coisas escritas sem o menor pensamento prévio e reconhecimento de que foram escritas por mim (a parte sonâmbula) e coisas escritas quando não consigo dormir por ter algo a escrever (minha querida insônia de todo dia me dai hoje).

Meu sonambolismo crônico, que vagueia pela insônia deu trabalho pra intitular, e quase chamou O Ápice da Insônia, e por que raios é tão difícil arrumar um bendito (ou maldito) título? Ficou assim: Insônia Registrada, pra dar aquela idéia de "quando fico pensando na vida em vez de dormir escrevo o que pensei no blog". Apesar que depois que durmo as idéias da insônia antes de dormir já se foram.

Antes que eu aborte mais este vamos delirar. Evitarei talvez postar em primeira pessoa daqui em diante, e esta fica sendo a minha "Carta ao Leitor". Enfim, vamos dar à este texto o fim.

Pesquisa

04/08/2009

No final de 2007 eu perdia o sono semanalmente pensando em algum texto. O cansaço físico me impedia levantar da cama para anotar os poemas, textos e frases que vinham à cabeça. Criei então o Segundo Lílian, em Junho de 2008. Postando anotações feitas na madrugada, sonhos rememorados na manhã seguinte, inspirações do meio do sono vespertino. Sem habilidade de escrita tive um blog trágico, perdi meus leitores e a vontade de escrever.
No final daquele ano resolvi criar o Insônia Registrada. Já que todos meus textos eram decididos durante a insônia, ou me tiravam o sono. Era um novo blog, pensado diferente, com novo tema, nova forma de escrita, novo visual - que já foi modificado uma dezena de vezes - além de agora um período de vida bem mais traduzível em letras.
Hoje, o blog já virou um vício. Textos, links, vídeos, descobertas, lembranças... tudo vem pra cá. Tirando o sono de quem lê também. Tamanho vício me levou a criar um blog de esportes, um de filme, participar brevemente de um blog de humor e me fez até perder a vergonha do Segundo Lílian.
Porque segundo Lílian, a insônia será registrada.